"E quando tudo vai errado, vai fazendo curvas que você nem se quer imagina, passando por tempestades inesperadas, tu começas a achar até mesmo as coisas mais insignificantes, no mínimo irritantes, e chora a todo momento por tudo que não lhe agrada, não por que és mimada ou qualquer coisa do tipo, mas sim por que tudo é motivo, desculpa para o choro há tanto preso contigo.
Para se ter uma idéia, tudo me irrita, os livros e a falta de lugares para eles ou os lugares que ocupam me irritam, o guardarroupa velho-novo me irrita e me desespera, o quarto branco me é estressante e deprimente, o computador e sua lerdeza me irrita, a comida "da mamãe" que é conhecida por a melhor comida já não me é tão saborosa e até me desanimo a comer, as brincadeiras não têm graça, as músicas começam a me irritar, pois me fazem pensar, lembrar de tudo que quero esquecer,as pessoas andando nas ruas e sorrindo me enojam, elas têm uma felicidade tão falsa, um riso tão forçado, assim quanto eu.
Escrever talvez seja a única coisa que não me irrite tanto, apesar que, já começo a irritar-me com estamenia de escrever, afinal para que escrever se sou VAZIA?
Começo me afastar dos amigos, ainda que perto deles, pois ando tão sem sal nem açúcar que sou capaz e acabar com o riso até de uma criança, meu rosto sério contrasta com um sorriso irônico, sarcástico e um olhar sem brilho, apagado, sem fantasias, sem ilusões, sem sonhos, meu caminhar é lento não pelo alma leve ou a calma em minha vida, mas pelo cansaço, cansaço de viver tentando e viver quebrando a cara.
Meus saltos, minhas roupas e minhas maquiagens disfarçam tamanho descontentamento, mas para quem é atento (ainda não vi ninguém que o seja) não passo de uma menina descontente se escondendo atrás de uma máscara de vaidade."
Suellen Oliveira
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