01 abril, 2009

Meu Eu

Queria saber onde foi parar meu Eu.
Aquele Eu que fazia peripécias por aí.
Aquele Eu que amava o mundo em cada detalhe.
Aquele Eu que um dia soube do amor,
Provou do amor.
Deu amor.
Soube das loucuras do amor.
Aquele Eu que via beleza nas coisas mais simples,
No riso da mulher madura,
No sorvete que a criança derrubou na roupa,
Na rosa que desabrochou,
No Sol se pondo dando lugar a luz toda esplendorosa da Lua.
Aquele Eu que por vezes sentou-se no barranco para ver o Sol se pondo e com esta visão ouviu as mais lindas canções, cantou junto e criou os mais lindos versos de amor à Vida, sem importar-se se esta era justa ou não, o importante era vivê-la.
Sinto falta daquele Eu que hoje se esconde dentro de mim.
Fica quieto, amedrontado, enclausurado, trancado e recusa-se a ver o mundo com os olhos que hoje vejo.
Sinto falta do Eu que eu mesma trancafiei e hoje não sei onde está, mas sei que manten-se escondido em algum lugar dentro deste corpo que vos protege das imundices mundanas.
Me perdoe se te faço refém, mas se te tranco distante do mundo, é por que quero-te preservar das injustiças, maldades, ganâncias, impurezas, canalhices e orgulhos tolos do mundo ao qual fui transportada num piscar de olhos.
Quero preservar-te puro e ingênuo para que possa mostrar-me na hora certa a pessoa certa, pois só você, com seus olhos e sabedoria de criança saberá.
Tranco-te no mais profundo de meu coração para que um dia salve-me do nada que o mundo me tornou!


Suellen Oliveira

Um comentário:

  1. To vendo que a Dnª inspiração voltou com tudo heim?!
    Lindo mesmo meu anjo!
    Mais uma vez parabéns!
    Bjooo...

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