06 dezembro, 2008

Minha mulher, minha vida!

Certo dia parei para me lembrar do que me aconteceu há mais de dois anos sei que é bobeira, mas por mais feliz que eu esteja, por vezes sou assaltada por lembranças que preferia poder apagar definitivamente de minha cabeça.
Bom, vou contar-lhes do que estou falando:
Lembro-me perfeitamente do dia em que andava na praça perto da escola, uma pracinha meio que abandonada mas que eu gostava, era o único lugar que ninguém me enchia a paciência, em um determinado momento senti braços me segurando firmemente pela cintura, não sabia o que se passava e me desesperei, lembro do corpo em cima do meu, seus lábios tocando meu rosto, meus seios, suas mãos apertando-me brutalmente todo o corpo, quando gritei por socorro levei um doloroso soco na cara, ele me chutou e mandou-me calar a boca, fui o que fiz por algum momento, mas chorava, chorava de nojo, dor e medo, muito medo.
Não sei ao certo quanto tempo depois, numa ultima esperança de sair viva, pois já não me mexia mais, gritei por socorro novamente, ele me deu um tapa no rosto mandou-me ficar quieta e subia mais uma vez sobre mim, me sentia fraca de mais para qualquer coisa, para gritar, para revidar, ou até me defender, eu era apenas uma garota de 16 anos, quase 17, que completaria amanhã.
Não sei quanto tempo depois, sinto que tiram-no de cima de mim, não consigo ver nitidamente, mas vi na hora em que meu agressor caiu ao chão, e a hora que, segundo a minha deficiente visão pode ver, uma mulher aproximou-se de mim, na hora tive medo, mas não seria capaz de mover um músculo sequer, senti seus braços erguendo meu corpo, e como por encanto me senti protegida, senti que finalmente poderia fechar os olhos que há muito já não se mantinham de fato abertos.
1 semana depois: Acordei e não lembrava exatamente o que havia acontecido, vinha em minha mente alguns flashes que me fizeram ficar agoniada, derrepente a porta é aberta e pude ver o rosto emocionado de minha mãe vindo em minha direção, logo estava cercada de médico, enfermeiras e meus pais.
Deram-me alta 3 dias após a minha “volta a vida”, ninguém toca no assunto, tive de ir a delegacia reconhecer o criminoso, e para mim aquilo já era um choque, não saia mais de casa, meu pai me levava à escola e voltava sempre com a mãe e uma amiga que por vezes ficava em casa para me fazer companhia,nada adiantava, não queria sair, tinha medo, não queria conversar, passei a ter medo da minha própria sombra.
No fim do mês apareceu em casa visita inesperada, eu estava em meu quarto fazendo os deveres de casa quando minha mãe diz que tenho visitas, disse que não atenderia que estava ocupada, mas ela insistiu então resolvi descer e ver quem era. Não lembrava exatamente daquele rosto, mas não me era estranho, então minha mãe nos apresentou e conheci finalmente a mulher que salvou a minha vida, me senti estranha no momento, minha mãe saiu da sala, fui cumprimentá-la com um aperto de mão, coisa formal e tals, mas quando senti suas mãos na minha me veio um nó na garganta, um vontade de chorar e tal sentimento não passou despercebido por Waleska (nome da minha salvadora) que me puxou e deu-me um abraço apertado e protetor, era a pimeira pessoa com exceção dos maus pais qu se aproximava de mim de tal maneira, mas em seus braços, assim como no fatídico dia, eu me sentia segura, protegida, ficamos abraçadas por um tempo, me grudei à ela como uma criança indefesa gruda em sua mãe, chorei por longos minutos, sentia suas mãos em meu cabelo, me acariciando e sua voz suave em meu ouvido dizendo que estava tudo bem, que ela não deixaria mais nada de mau me acontecer, senti a sinceridade em suas palavras e aos poucos fui me acalmando, era a primeira vez que derramava uma lágrima após todo o ocorrido. Ela ficou comigo por mais um tempo, me desculpei pela maneira que a tratei á pouco tempo atrás sem nem ao menos conhecê-la e tudo mais, então ela me contou que morava ali perto, era da Advogada e viu um movimento estranho na pracinha, foi quando ela apareceu e me salvou, sou grata à ela eternamente, disse-me que seu nome era Waleska e que foi me visitar algumas vezes no hospital durante o meu coma e que não voltou antes para me ver pois eu precisava descansar, mais de 3 horas depois, após tomarmos café da tarde com minha mãe e sentarmos na sala para conversar ela se despede de nós, dei-lhe um abraço (isso estava se tornando contínuo com ela) e ela se foi.
Algumas semanas depois Waleska apareceu na porta da minha escola, me convidou para sair com ela mais tarde, idéia que fui descobrir mais tarde ser de minha mãe que percebeu que só me abria com Waleska, fiquei mio em dúvida, mas logo aceitei.
5h da tarde Waleska passa em casa, vamos à uma sorveteria no centro da cidade, a tarde estava quente e pelo jeito a noite também seria bem quente,conversamos sobre várias coisas, descobrimos vários pontos em comum.
_ Wal... posso chamar-te assim?
_ Claro mocinha
_ Então, é que tu me pareces como dizer, sem querer ser chata, mas tu me parece nova de mais para ser Advogada – disse eu já com as faces rubras pelo que havia falado.
_ rsrsrsrs...Obrigada, mas de certa forma não sou tão velha, tenha 27 anos, me formei á pouco tempo, mas já tinha trabalho garantido e tudo mais.
_ Humm....entendeu.
_O que foi querida, está se sentindo bem?
_ Não, quer dizer, estou bem, só estava pensando.
_ Sei pensando besteiras não é mocinha, acho melhor parar de pensar agora e comer seu sorvete, veja, já está derretendo!
_ srrsrs, pois é...
Voltamos a comer e conversar amenidades. Wal me deichou em casa e pela primeira vez depois de muito tempo m senti feliz e algo mais que naquele momento não queria pensar no que seria.

-- BREAK--
Só para constar, meu nome é Daniely, no momento tenho 19, quase 20 anos, desde os meus 15 anos me descobri APAIXONADA por mulheres, homens? Só se forem meus amigos, mais que isso nem morta. Meus pais sempre aceitaram numa boa.
= = / = =


Nossas idas aos lugares tornaram-se freqüentes Waleska me ajudou a ser menos fechada com as pessoas, retomar minhas amizades, eu riso era constante perto dela, ela me fazia feliz e todos notaram essa minha mudança

Certa vez, ao me deixar na porta de casa Waleska deu-me um selinho, coisa boba eu sei, mas me senti atiçada a beijar aquela boca que já vinha me torturando há muito tempo, mas aquele pequeno gesto me fez tomar coragem e colar meus lábios nos seus como há muito desejava, mas tinha medo, após alguns minutos nos beijando, não sei por quê me veio uma sensação estranha, imagens voltaram na minha cabeça como uma avalanche, e me assustaram, só o que consegui fazer foi fechar a porta rapidamente e subir para o meu quarto, deitei-me na cama e chorei, novamente, queria muito estar nos braços de Waleska mas tinha sempre a mesma sensação de medo, angústia, pavor que tive naquela terrível tarde.

6 meses depois, mais precisamente em Outubro. Sentia muita falta da minha ruivinha, desde aquel dia na porta de casa, aquele beijo Waleska nunca mais apareceu, me arrependo de tê-la tratado como tratei, por vezes ela m ligava e eu sempre pedia para dizerem que eu não estava, que estava ocupada, que não podia atender, depois de mais de 2 semanas ela desistiu de me ligar e me procurar, sabia que não era certo o que eu estava fazendo, mas eu tinha medo de me apaixonar por ela, agora, só eu sei a falta que ela me faz, soube que ela foi para outra cidade, fazer um curso, e que voltaria por volta destes dias, estava determinada, assim que ela voltasse eu iria procurá-la.

Numa quinta-feira no portão da escola na hora da saída, uma amiga me fala que havia alguém nos olhando de longe, perto de uma árvore, na hora eu gelei, mas derrepente senti que não devia ter medo, e virei discretamente e quando vi quem era quase caí dura no chão, não sei se susto, felicidade, meu coração batia tão rápido que pensei que me fosse fugir, a minha ruivinha estava bem na minha frente, linda, agora os cabelos eram um pouco mais longos, mas tinha um olhar triste, sem aquele brilho que por vezes me fez ficar viajando alheia a tudo a todos, saí rapidamente do grupinho de meninas que no qual me encontrava, fui correndo ao seu encontro, já na sua frente ao não sabia o que falar e pelo jeito nem ela, nos abraçamos e naquele abraço pude confirmar o quanto eu à amava, o quanto precisava daquele araço, do quanto precisava daquele sorriso, aqueles olhinhos verde brilhante e cheio de vida, do quanto precisava daquela mulher, ficamos abraçadas por um bom tempo, disse de maneira baixa, quase uma confissão:

_ Você não imagina como senti a tua falta!

_ Eu também fiquei com saudades!

Nosso abraço se desfez, vi aqueles olhinhos que eu tanto amo, marejado, quando um lágrima ousou cair, parei-a no meio do caminho com a minha mão, acariciei aquele rosto, macio e delicado como o de uma boneca de porcelana e falei num tom calmo e delicado:

_ Prometi que nunca mais fica longe de mim?

_ Pometo..rs

_ Eu te amo!

_ Também te amo! – disse ela com a voz embargada

Nos beijamos ali, de baixo daquela árvore que no momento tornara-se a única testemunha do nosso infinito amor.

Hoje quase três anos depois, estamos mais unidas que nunca, minha ruivinha está grávida, e ficou linda com aquele barrigão de 7 meses, sim, daqui três meses haverá uma menininha linda nesta casa, para nos tirar o sono e nos encher de alegrias.

Ainda hoje, por vezes sou assaltada por lembranças indesejáveis, mas então eu me lembro que para sempre eu terei a minha Waleska do lado me amando incondicionalmente.

Agora é melhor eu ir, não quero deixar minha mulher nervosa neh, por que nesse estado essa ruivinha nervosa fica uma arara, fala até pelos cotovelos!

Fui!

By: -S-

Um comentário:

  1. Adorei este "pequeno conto"! Principalmente pela compania que tive enquanto lia! ;)
    Ah! parabéns mais uma vez pelos textos, são maravilhosos, assim como a autora deles! =)
    bjo bjo linda!

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