Ao sair da cama peguei uma roupa e fui tomar banho, terminei e ela ainda não havia acordado, por um tempo fiquei contemplando toda aquela beleza deitada em minha cama. Fui para a cozinha preparar algo para comermos, sabia que em pouco tempo ela acordaria e provavelmente com fome.
Fiz um suco e coloquei algumas coisas na mesa para comermos, enquanto ela não acordava, fiz o que já me era de costume, pegar um suco e ir pra sacada, lá fiquei pensando em tudo que havia acontecido, no abraço, no fato de dormirmos juntas, as coisas inusitadas que aconteceram, como o comportamento estranho de Alexandra, a repentina aproximação dela, seus carinhos, seus olhares, o jeito que me tratou antes de deitarmos, era tudo novo para mim, bom mas assustador, não tinha segurança de nada, não sabia até quando aquilo ia durar, se ela acordaria e me trataria como ontem de noite ou como sempre me tratava na loja, ela, naquele momento, me era uma incógnita.
Fui tirada de meus pensamentos por uma voz rouca e gostosa dizendo um bom dia preguiçoso, aquela mulher era definitivamente encantadora, e estava ali, na minha frente, parecia uma criança com o cabelo um pouco bagunçado, o rosto de quem acabou de acordar mas está morrendo de preguiça, parecia uma criança com aquele camisetão, porém o corpo bem delineado e as pernas malhadas a mostra me lembravam que aquela era a mulher pela qual eu sempre fui apaixonada.
Flá: Bom dia! Fim o café para nós. Vem!
Fomos para a cozinha e chegando lá nos servimos, pairou sobre nós um silêncio incômodo, constrangedor, talvez ela estivesse arrependida do seu comportamento e eu tinha medo de confirmar esta suspeita.
Terminamos nosso café, comecei a colocar a louça na máquina, ela me ajudava, mas até então nenhuma palavra que não fosse aquele simples “bom dia”.
Terminamos de arrumar as coisas, ela foi se trocar e eu fiquei deitada no sofá de olhos fechados, pensando no que aconteceria agora.
Alex: Você está bem?
Flá: Oi, sim estou, só um pouco cansada – falei abrindo meus olhos vagarosamente e olhando para ela que já se aproximava para se sentar perto de mim –
Alex: Imagino...
Flá: Alex... Quanto ao que aconteceu ontem.... – alguém precisava começar aquela conversa, se ela não começava, começo eu –
Alex: Por favor Flá, deixa eu te falar uma coisa primeiro...
Percebi que ela estava meio receosa de falar, fosse o que fosse eu estava tensa com o que viria pela frente.
Alex: Flaviany, t6alvez você tenha percebido, talvez não por eu conseguir ser sempre bem... fria em relação a você, mas desde aquele dia, naquela festa, minha única vontade era ficar com você, te evitei durante muito tempo, todas as vezes que você ia na loja eu me distanciava, ficava fria contigo, tudo para você nunca perceber que eu gosto de ti. Na verdade existem dois motivos para eu não ter lutado por ti, o primeiro porque eu não aceitava o fato de que tinha me apaixonado por uma mulher e o segundo é que como sabe, sou casada e tenho dois filhos, minha vida sempre foi muito normal, se é que me entende, nasci no interior, vim pra cá para estudar, conheci o meu marido, namoramos, me casei com ele há cinco anos e hoje tenho dois filhos de 3 anos e uma vida profissional de dar inveja em muita gente. No entanto, eu sinto, sei que falta alguma coisa, uma coisa que eu pensei sentir pelo Tiago, mas que com o tempo foi esfriando, ele se tornou apenas o meu marido e o pai dos meus filhos, nada mais. E eu não quero passar o resto da minha vida infeliz por não ter lutado pela minha felicidade, minha carreira eu sei que não vai pro água á baixo caso eu faça o que eu quero, e meus filhos, bom, vão continuar sendo meus filhos é só uma questão conversar com eles, sei que não estão felizes com a vida que estamos levando, passam muito tempo longe de mim, meu marido nem fica em casa direito, ta tudo um inferno, mas eu faço de tudo para mantê-los do meu lado e dar de tudo a eles. Mas eu sinto que se quero ser mais feliz e transmitir toda essa alegria a eles eu tenho q começar batalhando pelo que eu quero, eles entendem que a mãe deles não está feliz como está.
Flá: Alex... – Ela não me deixou continuar, percebi que estava um tanto quanto emocionada -
Alex: Por favor Flá... Se não perco a coragem (rsrs)... Meu marido e eu estamos nos separando, e vendo qual a melhor maneira para que os meninos não sintam tanto pela separação, eles são espertos, sei q vão entender. Com toda essa parte “resolvida” comecei a repensar no que andava fazendo, ignorando uma pessoa que meu coração dizia que gostava mas minha mente insistir em impedir-me de gostar. Pensei que com o tempo eu pudesse te esquecer, que fosse coisa de momento, que fosse curiosidade apenas, mas isso não passou e hoje eu tenho certeza que nunca vai passar.
Neste momento ela se levantou e foi para a janela, mas antes vi uma lágrima teimosa escorrer por sua face.
Alex: Eu... eu não sei mais o que fazer, eu me acostumei a ser quem sou, me adaptei com as coisas simples, nunca me imaginei amando uma mulher, e quando te vi pela primeira vez naquela loja, logo que entrei, foi...foi como se... eu precisasse de você, precisasse do seu abraço ou que você pelo menos me olhasse, me apaixonei por esse sorriso de muléca, esse olhar que nos despe até a alma, esse jeitinho meigo, alegre, sério, brincalhona, me acostumei a sua presença, mas você nunca nem tinha me reparado... Até aquela festa. Hoje eu estou aqui, na tua casa, na casa da mulher que eu amo, que está grávida, que dormiu do meu lado hoje, no entanto, eu... eu tenho medo...
Á este ponto ela já chorava copiosamente, me levantei e fui até ela, ela me olhou nos olhos e pude ver o medo e a insegurança estampados nos olhos dela, mas também pude ver o amor naqueles olhos que me atormentaram por meses. Abracei-a fortemente, e a levei colada ao meu corpo até o sofá, lá sentamos, ela ficou abraçada a mim, e eu nada disse até que seu pranto se acalmasse.
Eu sorria, boba, feliz, não gostava de vê-la naquele estado, me doía vê-la chorar, mas ela havia acabado de dizer que me ama, eu faria de tudo pra fazer essa mulher feliz ao meu lado.
Ficamos uns 15 minutos abraçadas, Alex já estava mais calma, não chorava mais, apenas mantinha-se deitada, com a cabeça apoiada em minhas pernas, eu acariciava seu cabelo suavemente, pensei em tudo que ela havia dito ali há instantes atrás. Estava na hora de tomar uma decisão, e eu já sabia o que queria.
Flá: Alex... eu não sei bem o que te dizer... Posso estar sendo egoísta, mas estou feliz pelo que você me disse, não pela situação em que se encontra de fato, mas por que agora sei que não amo sozinha. Eu sempre te amei, desde a primeira vez que te vi, antes mesmo de você entrar na loja. Você não sabe, mas sou eu quem seleciona quem entra naquela loja, a Sam nunca teve paciência para isso, quando vi aquele currículo, fiquei surpresa, como uma pessoa tão nova podia ter tão boas indicações, quando vi a foto no computador, depois da sua entrevista, me apaixonei, foi simples assim, mas você nunca nem olhava para mim. Depois fiquei sabendo que era casada, tem dois filhos e resolvi simplesmente deixar de pensar que algo poderia acontecer entre nós, comecei a namorar, o que não durou nem dois meses, afinal não sou do tipo que namora uma pessoa pensando em outra, e eu só tinha olhos, pensamento e sentimentos por você. Muita coisa aconteceu este ano e eu me afastei tudo e de todos, até mesmo da Sam, não suportava mais ir à loja e ver você me tratando tão fria, não queria mais vê-la por que de certa forma machucava pensar que a pessoa que eu amo tinha outra pessoa que a fazia feliz. Sam começou a vir aqui, mas eu estava extremamente desanimada de tudo. Os meninos tentaram me animar, mas só passei a me animar um pouquinho que seja de uns dois meses pra cá.
Eu chorava, só de lembrar tudo que tinha passado desde uns 3 meses antes de descobrir essa gravidez. Já não conseguia mais falar nada, chorava por tudo, pelo tempo longe dela, pela frieza que me tratou por tantas vezes, pela maldita festa na qual eu havia ficado grávida e chorava por estar super cansada de tudo aquilo.
Desta vez foi ela quem me “consolou”, me abraçava, beijava-me o alto da cabeça e dizia-me que ficaria tudo bem, que ela estaria do meu lado, pedia-me desculpa por tudo.
Nunca havia me permitido falar á ninguém tudo que se passava comigo, menos ainda chorar na frente de alguém, quem diria com Alexandra, era tudo inusitado e tão bom.
Quase 15 minutos depois, olhei para seu rosto, molhado de lágrimas, assim como o meu, vi em seus olhos todo o amor que nunca tinha visto naqueles olhinhos tão azuis, pousei minha mão em seu rosto, acariciando levemente aquele rosto tão delicado e expressivo, nossos lábios foram se aproximando vagarosamente, tocaram-se numa carícia delicada, que foi logo se tornando exigente, faminta, sou mão acariciava-me a a nuca, estava tudo perfeito, se não fosse alguém se manifestar na minha barriga, dando-me uns belos de uns chutes, parece até que entende neh, paramos de nos beijar e acabamos por dar risada da situação, sim, meu lindo bebê estava com ciúme, afinal de contas só eu tinha recebido atenção até agora. Estávamos sentada, Alex se ajoelhou na minha frente, beijou minha barriga e depois acariciando-a pude escutar ela dizendo: “Eu vou cuidar de você pequenina, farei de tudo para faze-las felizes”, deu mais um beijo na minha barriga e olhou-me com um sorriso feliz, não pude segurar uma lágrima que desceu de meus olhos parando em meus lábios, mas esta era de mais pura felicidade.
Continua...
Ai ai... Estou adorando essa estória! Mal posso esperar pelo próximo capítulo! rsrsrs...
ResponderExcluirNão demora muito não vai?!
Bjo bjo linda!